06 outubro 2015

Olha só quem chegoooou!

Motivo nº: n+39

UM POST NÃO SOMENTE SOBRE UM LIVRO, MAS TAMBÉM SOBRE OS TABUS DAS CONVENÇÕES HUMANAS E SOBRE COMO ACHAMOS QUE SOMOS GRANDE COISA.



Há tempos não comprava um livro e já tinha lido resenhas sobre este. Como estava num preço acessibilíssimo acabei por comprar. Extraordinário chegou ontem. Comprei pela Avon e paguei R$ 10,00.
Até onde li, trata-se de um garoto de dez anos que possui uma deformidade na face. Já passou por 27 cirurgias e agora os pais decidiram que ele devia estudar numa escola de verdade, não mais em casa. Os pais eram particularmente superprotetores.
Sobre isso, não posso falar nada até porque não sou mãe. E pelo que eu aprendi (depois de passar pela aborrecência) realmente, só vamos entender essas coisas de pai e mãe com seus filhos quando formos pais ou mães. 
Correndo a leitura, há uma parte em que August (que é o garoto principal - também narrador) diz que se incomoda com o olhar fugaz das pessoas quando o veem, tentando disfarçar ou se assustando. Que ele se sente como um garoto normal. Passou pela minha cabeça que nada mais natural para o ser humano que volte sua atenção ou não saiba lidar com o "diferente". Pois é. As convenções humanas agindo sobre meu ser. Ninguém escapa disso, mesmo aquelas pessoas que se dizem super inclusivas. 
Decidi observar este meu pensamento. Como assim, nada mais natural? Afinal, se somos todos um, por que havemos nós de apontar os dedos ou nos sentirmos constrangidos ou nos assustarmos? O que trata no livro é sobre como um garoto com deficiência em seu físico enfrenta dificuldades para interagir no meio social. Uma deficiência que nasceu com ele. Veja isto: uma deficiência. O que é uma deficiência? O que é senão algo que o ser humano usou para separar os indivíduos uns dos outros quando na verdade somos todos um, ninguém melhor do que ninguém? Tudo errado. E nós estamos convencionados a isso.
Daí vão dizer que é porque somos adultos e que os adultos é que separam as coisas. Mas se esquecem que as crianças são educadas por adultos, seguem os exemplos dos adultos. E o que estamos fazendo com nossas crianças? Quando August vai conhecer a escola e interage com três crianças, pelo menos um deles consegue ser desagradável. Desagradável por agir com malícia e não com inocência. Mas, não é natural que uma criança seja inocente? Então, de onde veio tal malícia?
E diz-se que a sociedade hoje é mais inclusiva. Sorrisos forçados não significam compreensão de unidade. Significam apenas confusão.
E quando fala-se em "diferente", te explico o uso das aspas: nós inventamos tudo isso como se tivéssemos algum domínio ou poder de sabedoria sobre todas as coisas. "Olha isso aqui. Não parece com aquilo. Não agrada. É diferente" 
E todo esse exemplo com August é só algo que todo mundo sabe e continua sorrindo forçado. É só algo que não está muito longe de falar mal da garota fora de forma, nem muito longe de questionar os relacionamentos das pessoas ou de julgar qualquer coisa em geral. 
Se a gente pode fazer algo? Claro que pode. Pensar 90 vezes antes de falar algo. Começar a enxergar mais as pessoas assim como nós mesmos. Tentar perceber a unidade. :)

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